Entourage

25 Agosto, 2008

Estreia (nos US) no próximo dia 7 de Setembro a quinta época da série Entourage. Para quem não conhece, Entourage ( A Vedeta em Portugal) conta a história de um actor de cinema famoso – Vicent Chase – e dos seus amigos de infância, com quem vive todas as aventuras em Hollywood.

Produzido por Mark Wahlberg (cuja a adaptação a Hollywood, supostamente inspirou a história) a série conta com a presença regular de estrelas do showbiz quer interpretando papeis quer participando em nome próprio; já apareceram Jessica Alba, Scarlett Johansson, Seth Green, Jimmy Kimmel, James Woods, Val Kilmer, Martin Landau, James Cameron, entre muitos outros.

Como se compreende a vida dos protagonistas fascina qualquer um (homens principalmente); viver com 3 amigos em Hollywood, rodeado de tentações e com muito dinheiro para gastar, parece o paraíso para muita gente. No entanto, não é pelo enredo que vale a pena ver Entourage, mas antes pelas personagens que aqui se encontram. De destacar Johnny Drama (irmão de Vincent) desempenhado por Kevin Dillon e para Ari (o agente de Vincent) desempenhado por Jeremy Piven e vencedor de dois Emmys.

Se puderem não percam…

links:

entourage in HBO


Malaca e arredores

19 Agosto, 2008

Um dos “maçãs”, emancipou-se e decidiu partir à descoberta do mundo. A previsão é percorrer o sudoeste asiático, Singapura, Malásia, Tailândia, Cambodja, etc com um pequeno prelúdio europeu, mas nestas coisas nunca se sabe…

Podem acompanhar tudo, num tom mais pessoal, no blog A reconquista de Malaca.

Andres Calamaro é um cantor pop/rock argentino bastante conhecido no seu país e muitos discos editados desde 1980, mas cuja carreira não me parece muito interessante.
Em 2006, no entanto, resolveu editar um disco de versões de clássicos da música argentina (tangos e similares). As músicas, como não podia deixar de ser, são muito boas, os músicos (parece que o andres só canta) também, e a voz rouca do senhor dá um ambiente de bar refundido na noite de Buenos Aires.
Muito bom…

A prisioneira

7 Agosto, 2008

Não será certamente uma obra-prima da literatura moderna. A versão portuguesa tem até alguns problemas óbvios de tradução. Mas é sem dúvida fantástica a história de Malika Oufkir e sua família. Filha do general Mohammed Oufkir, homem de confiança da monarquia marroquina desde o tempo de Mohammed V, Malika passou toda a sua infância no palácio como filha adoptiva do rei. Em Agosto de 1972 e já no reinado de Hassan II, uma inesperada reviravolta afectou para sempre a sua vida. Seu pai, na altura ministro do interior, é considerado responsável por um atentado contra o rei, executado de forma pouco clara e toda a sua família condenada a encarceramento perpétuo. Malika, a sua mãe Fatéma, os seus cinco irmãos (com idades compreendidas entre os três e os quinze anos) e duas criadas passam assim os seguintes vinte anos das suas vidas em diferentes e recônditas prisões marroquinas até à sua evasão.

Com base nos depoimentos de Malika Oufkir, Michelle Fitoussi escreveu este livro em 1999. A primeira parte e principalmente para quem esteve em Marrocos é fascinante, descrevendo o fausto da vida palaciana marroquina e dos cortesãos que a ela têm acesso, com o pormenor de uma pessoa que a viveu por dentro. A trama arrasta-se depois um pouco ao longo do período de cativeiro e aumenta novamente de interesse depois da evasão. Um conselho: saltem o demasiadamente revelador prefácio.

Edição portuguesa
A prisioneira: da corte do Rei às prisões marroquinas. Um testemunho verídico.
Malika Oufkir e Michèle Fitoussi
Tradução de Luis Antunes
Bertrand Editora, 1999

Ilha do farol

5 Agosto, 2008

Para quem julga que a costa sul do Algarve já é só o caos urbanístico da Praia da Rocha, Armação de Pêra, Albufeira ou Monte Gordo, recomenda-se uma visita ao Farol da Ilha da Culatra ou às outras ilhas que delineiam a Ria Formosa: Ilha da Barreta (Deserta), Ilha da Armona, Ilha de Tavira e Ilha de Cabanas.

No Farol não há hotéis ou discotecas nem tão pouco restaurantes e bares da moda. As poucas casas são de pescadores, algumas ilegais, muitas sem electricidade. Os banhos são de garrafão e a água é quente porque aquecida pelo sol. A animação nocturna acontece essencialmente aos fins de semana e os dois restaurantes, o Á do João e a Associação rivalizam pelo bailarico mais disputado, onde diferentes gerações dançam ao som de vibrante música popular. Nos dois bares da praia sons mais alternativos embalam-nos normalmente a horas decentes para um sono descansado que o dia seguinte começa cedo.

Nas praias a areia é limpa e banhada pela água mais cristalina das nossas costas. Dos quase caribenhos azuis e verdes mares, peixes saudáveis e saborosos parecem saltar directamente para os nossos pratos proporcionando-nos sumptuosos almoços e jantares. A única coisa má neste Algarve é mesmo ter que vir embora.

Cinco anos depois voltei a sentir-me livre na Ilha do Farol. Para me provar que há sítios onde não se deve ter medo de voltar.

Jacques Brel

24 Julho, 2008

Sou louco por fado. Associo-lhe a noite, o fatalismo, a paixão, o desespero, a poesia, o inebriamento, a saudade. Não sendo só isto, o fado é muito disto. Nesta perspectiva Jacques Brel é um fadista. Boémio e mulherengo mas solitário, revolucionário e inconformado, escrevia e compunha todas as suas canções. Cantava-as, tocava-as e representava-as pelos cabarés de Paris com a intensidade de quem realmente as sentia e vivia. As suas letras celebram emoções e criticam costumes e o seu tom ia do doce e melancólico ao angustiado e destrutivo.

Influenciou várias gerações de músicos como Bob Dylan, David Bowie ou Leonard Cohen que o cantaram. Deu deu à música francesa uma projecção internacional que não tinha anteriormente.

Foi ainda actor durante alguns anos mas cansado do mundo do show-business europeu, cada vez mais dominado exclusivamente pela lógica de mercado, decidiu comprar um veleiro e nele empreender uma volta ao mundo. Foi-lhe durante esta aventura diagnosticado um tumor nos pulmões, doença que o viria a matar aos 49 anos. Está enterrado nas Ilhas Marquesas, na Polinésia Francesa, ao lado do pintor Paul Gauguin.

Deixo-vos três actuações ao vivo de Brel que ninguém devia passar por este mundo sem ver, ouvir e compreender. Amsterdam, também cantado numa excelente versão inglesa por David Bowie, é como um quadro de decadência e promiscuidade pintado a cores quentes e vivas. A interpretação é arrebatada e o suor corre-lhe pelo rosto enquanto por trás o acordeão solta pungentes acordes. Fica a parte final da letra.

Dans le port d’Amsterdam Y a des marins qui boivent
Et qui boivent et reboivent et qui reboivent encore
Ils boivent à la santé des putains d’Amsterdam
De Hambourg ou d’ailleurs, enfin ils boivent aux dames
Qui leur donnent leur joli corps, qui leur donnent leur vertu
Pour une pièce en or et quand ils ont bien bu
Se plantent le nez au ciel, se mouchent dans les étoiles
Et ils pissent comme je pleure sur les femmes infidèles

Ne Me Quitte Pas é segundo as palavras de Brel não uma canção de amor mas um hino à cobardia dos homens. Foi escrito para a sua amante Zizou que esperando um filho seu, abortou devido à recusa de Brel em assumir a paternidade. A segunda estrofe é extraordinária e deveria ser dita a alguém pelo menos uma vez na vida.

Moi je t’offrirai des perles de pluie
venues de pays où il ne pleut pas.
Je creuserai la terre, jusqu’apres ma mort,
pour couvrir ton corps d’or et de lumière.
Je ferai un domaine où l’amour sera roi,
où l’amour sera loi, où tu seras reine.
Ne me quitte pas, ne me quitte pas,
ne me quitte pas, ne me quitte pas.

A melhor versão não está disponível para embedding em blogues mas pode ser encontrada aqui. Para compartilhar convosco fica esta que também não está mal…

La Valse a Mille Temps é doce e cíclica, muito parisiense e começa num ritmo de canção de embalar crescendo depois em intensidade até um completo frenesi final. Existirão pessoas que não pensam tão depressa como este homem fala.

O primeiro post

23 Julho, 2008

O fruto proibido é descrito no Livro do Génesis como o fruto da Árvore do Conhecimento comido por Adão e Eva no Paraíso, hediondo acto que lhes terá custado a perda da inocência, a separação de Deus e o exílio do Éden. Apesar de não estar escrito em lado nenhum que fosse uma maçã, a sabedoria popular insiste em associar a proeminência laríngica que todos possuímos à recordação do pecado original, um caroço que nos lembre permanentemente que há prazeres que não são permitidos.

Este blog é precisamente sobre isso: prazeres. Se permitidos ou não, a moral de cada um o julgará. Somos pessoas com sensibilidades diferentes que nos levam a interpretar os estímulos que o mundo nos proporciona de formas diferentes. Por isso não há aqui lugar para moralismos, preconceitos ou pretenciosismos. O objectivo é apenas comungar experiências tidas que nos tenham feito sentir que naquele momento valeu a pena estar vivo. Eventualmente levar alguém a repeti-las. Espero que se divirtam tanto a lêr-nos como nós esperamos divertirmo-nos a escrever-vos.